Quando pensamos em educação, é comum associar o conhecimento escolar às disciplinas tradicionais: Matemática, Português, História ou Ciências. No entanto, a escola continua a falhar num âmbito essencial para a vida adulta: a literacia financeira. Num mundo em que todos os dias interagimos com dinheiro, impostos, tecnologia e consumo, é urgente preparar as gerações mais novas para compreenderem a realidade económica que as rodeia.
A literacia financeira não deveria ser um tema complementar, mas sim uma disciplina estruturada e obrigatória
Nas escolas portuguesas, seria fundamental ensinar os mais jovens a interpretar conceitos básicos como IRS, IVA, faturas, poupança, investimento e o funcionamento de empresas. A maioria dos jovens termina a escolaridade sem saber preencher uma declaração de IRS, sem compreender de onde vem o salário líquido ou como se calcula um imposto. É incoerente preparar futuros trabalhadores, consumidores e empreendedores sem lhes fornecer o conhecimento necessário para gerir o próprio dinheiro.
Outro ponto essencial na educação financeira é perceber que existe pagamento de impostos em praticamente todas as transações do dia a dia. Da compra de pão ao combustível, da fatura da água a um bilhete de cinema, há impostos embutidos que sustentam o Estado. Se os jovens não compreenderem estes mecanismos, crescerão com uma visão distorcida da economia, acreditando que “o Estado paga tudo”, sem perceber que os recursos do país vêm dos impostos que todos contribuem.
O contabilista, o agricultor, o enfermeiro, o mecânico, o professor e o programador fazem parte de uma engrenagem que sustenta a sociedade
Além disso, a escola deve ensinar que todas as profissões são fundamentais para o funcionamento do mundo. O contabilista, o agricultor, o enfermeiro, o mecânico, o professor e o programador fazem parte de uma engrenagem que sustenta a sociedade. A literacia financeira também passa por valorizar o trabalho, compreender a sua remuneração e perceber que cada profissional contribui diretamente para a economia. Este reconhecimento não só combate preconceitos como promove escolhas vocacionais mais conscientes.
Num contexto de rápida evolução tecnológica, os jovens precisam ainda de aprender a gerir a sua vida económica num mundo digital. Aplicações bancárias, carteiras digitais, pagamentos contactless e compras online fazem parte do quotidiano moderno. A tecnologia pode facilitar a gestão financeira, mas também pode ser uma armadilha. Compras impulsivas com um clique, subscrições desnecessárias, falta de noção do gasto real do dinheiro digital e exposição constante à publicidade podem gerar endividamento precoce.
É urgente abordar o risco da dependência das redes sociais e da inteligência artificial, que não influenciam apenas o comportamento, mas também o consumo
Por isso, as aulas de Cidadania e Desenvolvimento deveriam incluir temas de literacia financeira, economia doméstica e responsabilidade fiscal. Não basta formar alunos com conteúdos teóricos; é necessário formar cidadãos conscientes, financeiramente responsáveis e preparados para enfrentar um mercado cada vez mais complexo. Educar para a vida inclui educar para a forma como se ganha, gere e utiliza o dinheiro.
Se queremos uma sociedade mais justa, sustentável e economicamente responsável, precisamos de começar pela base: ensinar os jovens a compreender o valor do trabalho, do dinheiro e dos impostos. Só assim estaremos a construir adultos financeiramente livres e conscientes do seu papel na economia.
Ricardo Leitão
Fundador e Gerente
This is a great reminder that financial planning isn’t just about numbers; it’s about aligning your money with your life goals. Physician Lifecycle Planning can help you make the most of your earning potential while ensuring you’re also prioritizing your well-being and quality of life.